<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8362402437799085942</id><updated>2011-07-31T01:48:25.306-07:00</updated><category term='Ó Literatura'/><category term='O inesperado'/><category term='A RONCA - parte 1'/><category term='In the bedroom'/><category term='A RONCA - parte 2'/><category term='Um estranho numa terra estranha'/><category term='Enquanto o Sol se levanta'/><category term='A RONCA - parte 3'/><title type='text'>José Petinga</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://josepetynga.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>José Petinga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02580151391730584049</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lZQU4cyTtjc/SqBgkuyoEnI/AAAAAAAAAAM/dPhqYPrCsu8/S220/jpPerfilBlog.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8362402437799085942.post-7408962893240048990</id><published>2009-11-08T17:30:00.002-08:00</published><updated>2009-11-08T17:31:29.350-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Enquanto o Sol se levanta'/><title type='text'>Enquanto o Sol se levanta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lê-se a filosofia de um grande mágico, sente-se o orgulho da manhã a dissipar-se  enquanto procuras o primeiro café aberto. O tempo estava fresco para a  estação.&lt;br /&gt;No dia 13 de Maio de 2001, notava-se o peso da religião naquele povo  perdido à procura de um pequeno pedaço de felicidade - coisa rara nos nossos  dias. Dizia ele, o mágico:&lt;br /&gt;- A filosofia que vos quero passar e que é já a  minha é para sonharem ao máximo todos os dias!&lt;br /&gt;Estava preocupado não só com  os meus problemas pessoais, aqueles mas também com aqueles que os outros  introduziam livremente e que nada tinham a ver.&lt;br /&gt;Chocado até à medula. Eles  tinham conseguido revoltar-me, transformando-me e querendo ver em mim outra  pessoa para além de mim próprio ... revolta!&lt;br /&gt;Todas as manhãs era assim. Os  cafés ... o primeiro expresso, quando ainda estava a dormir.&lt;br /&gt;Nem sempre os  dias eram preenchidos da melhor forma, mas era necessário. Não era um trabalho  fácil e talvez não fosse acessível a todos.&lt;br /&gt;Aquele título que me surpreendera  um dia - "Um estranho numa terra estranha". A própria evolução das situações em  curso, são a causa de muitas destas revoltas pessoais.&lt;br /&gt;O stress tinha-me  apanhado a mim também, logo eu que fugia dessas modernizadas doenças que  ocuparam um espaço e um tempo. As exigências dos homens provocaram este estado  de coisas&lt;br /&gt;A descoberta de qualquer coisa que nos ajude a harmonia interior,  qualquer tipo de ciência, mesmo inexistente ou desconhecida.&lt;br /&gt;Era  desnecessário tomar as atitudes descritas pelas circunstâncias e pela imposição  dos próprios tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tudo parecia já estar lá antes de nós."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8362402437799085942-7408962893240048990?l=josepetynga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josepetynga.blogspot.com/feeds/7408962893240048990/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/enquanto-o-sol-se-levanta.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/7408962893240048990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/7408962893240048990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/enquanto-o-sol-se-levanta.html' title='Enquanto o Sol se levanta'/><author><name>José Petinga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02580151391730584049</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lZQU4cyTtjc/SqBgkuyoEnI/AAAAAAAAAAM/dPhqYPrCsu8/S220/jpPerfilBlog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8362402437799085942.post-4145117247695719899</id><published>2009-11-08T17:30:00.001-08:00</published><updated>2009-11-08T17:30:39.036-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Um estranho numa terra estranha'/><title type='text'>Um estranho numa terra estranha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo que a decepção política de tendência neoburguesa/fascista invadiu os meios  intelectuais de esquerda - infeliz non sense - sentia-se um medo terrível em  toda a população e sobretudo naqueles que, um pouco mais astutos, se lançavam no  mercado internacionalista à procura de fortuna fácil.&lt;br /&gt;Esta dívida, no futuro,  alastrara-se logo que uma vaga de imigrantes dos países orientais e africanos  invadiam a Europa, fugindo das guerras desastrosas e inumanas que se faziam  sentir, um pouco por toda a parte.&lt;br /&gt;A divisão dos países de Leste, eles também  submetidos às maiores crueldades, a ruptura dos grandes ideais  marxistas-leninistas - a morte. por implosão da ideologia comunista, a vaga  crescente de atentados, crimes e todo um conjunto de atitudes corrosivas e  corruptas que nos faziam desacreditar que somos feitos de carne e osso e que  tudo o resto não é materializado pelas nossas ambições austeras e  desapropriadas.&lt;br /&gt;Seremos sempre o alvo predilecto de falhas diplomáticas, de  negociações falidas, de demagogias e pedagogias. Nunca para nos situarmos ao  nível do Humano, mas sim de "la béte sauvage".&lt;br /&gt;Falou-se ao longo de todas  estas transições políticas de austeridade, política de apertar o cinto, política  de meia-tigela. Exigiu-se em tempos, uma política transparente, uma política que  sirva os interesses dos cidadãos, em vez de servir os velhos hábitos das  pequenas elites conservadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"La France?!" ... será sempre o ponto de  interrogação das grandes mudanças políticas. A sua história revolucionária é  demasiado rica para que deixe morrer a sua virtude de um país simbolicamente  glorioso pelas suas saídas à rua, de protesto, de contestação.&lt;br /&gt;Parecia não  haver um presidente para esse grande império europeu, também ele inscrito na  grande revolução cósmica do grande Jubileu que foi a passagem do  milénio.&lt;br /&gt;Portugal, na política internacional, colocou sempre a carroça à  frente dos bois. Se existe uma tecnologia sofisticada, existe simultâneamente  uma péssima gestão. Se existe material não modernizado, a gestão nunca pode ser  considerada boa.&lt;br /&gt;Encontraremos sempre uma resposta, uma desculpa nem que seja  para sermos ... meros observadores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8362402437799085942-4145117247695719899?l=josepetynga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josepetynga.blogspot.com/feeds/4145117247695719899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/um-estranho-numa-terra-estranha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/4145117247695719899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/4145117247695719899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/um-estranho-numa-terra-estranha.html' title='Um estranho numa terra estranha'/><author><name>José Petinga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02580151391730584049</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lZQU4cyTtjc/SqBgkuyoEnI/AAAAAAAAAAM/dPhqYPrCsu8/S220/jpPerfilBlog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8362402437799085942.post-4531936393655502131</id><published>2009-11-08T17:29:00.001-08:00</published><updated>2009-11-08T17:29:54.639-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ó Literatura'/><title type='text'>Ó Literatura</title><content type='html'>Ó literatura, mundo do imaginário onde tudo é possível. Mundo infindável da alma  vestida de drama e tragédia onde sucumbe o vício dos desejos físicos.&lt;br /&gt;Valor  espiritual da invisibilidade palpável, onde tudo é harmonia, luxúria, volúpia,  alimento dos prazeres da matéria física. Êxtase!&lt;br /&gt;Navegantes sem rumo à  procura de um novo astro. Ó língua sem limites. Desfolhando as (linguagens)  palavras uma a uma, descortinando sem mordaças nem amarras, quebrando os muros  violentos e opressores, munidos d´armas mortíferas e de terror, encurralados  entre o desespero enganador e humilhante, na partícula motora do que deveria ser  o grande ser que nunca é.&lt;br /&gt;Nós somos dois. Cada um de nós, um potencial  destrutivo e auto-destrutivo em si mesmo. Que ninguém tenha dúvidas. Procuramos  todos uma estação de repouso inexistente. Fartos do conformismo e da  indiferença, perante esta aberração errónea com a qual nos confrontamos no  quotidiano.&lt;br /&gt;Promessas...&lt;br /&gt;Enganos...&lt;br /&gt;Falsidades...&lt;br /&gt;Vigarices...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formalizados  cálculos tácticos, agrupados em estantes bafiosas, recalcados pelos tempos.&lt;br /&gt;O  grande patrão ... mostra-nos através do seu ecrã, o utópico dilema com o qual  nos confrontamos ideologicamente. Aí, estamos diante do mundo moderno  (tecnologia) incubando-do as células adormecidas do consumo exagerado. A  publicidade esfriante, qual cadáver saído das profundezas da terra, convida-te a  penetrar o mundo artificial dos grandes centros comerciais - renovação última do  comércio modernizado. A competitividade, a abundância dos produtos, internos e  externos, aos quais somos subjugados. Dependentes destas anomalias  "stressianas", o tempo deixou de existir, para o altivo sonho que foi uma  infância solitária.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8362402437799085942-4531936393655502131?l=josepetynga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josepetynga.blogspot.com/feeds/4531936393655502131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/o-literatura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/4531936393655502131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/4531936393655502131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/o-literatura.html' title='Ó Literatura'/><author><name>José Petinga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02580151391730584049</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lZQU4cyTtjc/SqBgkuyoEnI/AAAAAAAAAAM/dPhqYPrCsu8/S220/jpPerfilBlog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8362402437799085942.post-6251305298306613634</id><published>2009-11-08T17:28:00.000-08:00</published><updated>2009-11-08T17:29:20.322-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A RONCA - parte 3'/><title type='text'>A RONCA - parte 3</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tractor tinha as rodas no ar.&lt;br /&gt;- Zé Augusto aceleraste a máquina?&lt;br /&gt;- Ó  João! Ó João, desengata o gancho, arreia a gadanha, passa o cabo por cima e  engata de novo, homem!&lt;br /&gt;O mestre gritava:&lt;br /&gt;- A barca está pesada. Ainda  estão aqui 150 cabazes de sardinha! Então? Cuidado com o cabresto senão está  tudo desgraçado! - tínhamos que tirar o bojo para fora de água.&lt;br /&gt;O Escarapela  gritava impondo o seu autoritarismo e a sua responsabilidade:&lt;br /&gt;- Ninguém mexe  no peixe.&lt;br /&gt;- Tá bom! Tá bom! Pára Zé ... pára. Quanto mais for para cima, mais  tem que vir para baixo. O Estera que suba depressa com o fogaz. Põe-te no meio  da barca ranhoso. É preciso explicar-te tudo tim-tim por tim-tim? Não escorre  nada dessa cabeça de burro? Vá ... andem, andem.&lt;br /&gt;No outro lado, o mestre, meu  tio, gritava:&lt;br /&gt;- Á zagarelho! Não se pode perder tempo. Sai ... sai já daí. Já  não podes com uma gata pelo rabo e com um cigarro na boca. Tu e o Zé Gaiato! Vai  ... vai anda; chega o peixe para a borda Zé.&lt;br /&gt;- Á Fivelas, sabes como ele é e  tás sempre a fazer o mesmo!&lt;br /&gt;- Á ... á ... á ...&lt;br /&gt;- Á merda. Merda é que há!  Vai ali comprar um maço de cigarros Ritz. Mas vai num pé e volta no outro.&lt;br /&gt;-  Tá bem, não se apoquente.&lt;br /&gt;Estávamos no Verão, mais propriamente no mês de  Agosto. As noites estavam muito quentes. Um grupo de jovens acompanhados com  francesas queriam comprar peixe.&lt;br /&gt;- Á Joaquim, tira algumas sardinhas para a  areia! Se vier 20 escudos, são 10 mérrés pa cada um. Isto só acontece no Verão!  No Inverno é fome para comer tudo.&lt;br /&gt;- Vai agora que ele está distraído! Vai  ... já chega, já chega.&lt;br /&gt;As mulheres acartavam o peixe. A água nos cabazes  para a sardinha pingava-lhes os pés protegidos por uma capa preta.&lt;br /&gt;- Estou  morta! - dizia a Alzira. Quando chego àquela areia mole ... ai as minhas pernas!  Noites inteiras e dias inteiros para ganharmos um tostão.&lt;br /&gt;A azáfama não  parava. Desde que o Sol se punha até à aurora matinal. Ninguém parava, nem para  tomar um pingo de café. De manhã era pior ainda, com a presença dos senhores da  Guarda Fiscal e da Polícia Marítima.&lt;br /&gt;- Quantos cabazes poderão estar aí? -  perguntou o A. Vapor, sempre sentado na ré da barca com os pés pousados na  pleia.&lt;br /&gt;- Á ... á Ti Tonho, t...t...tá aqui uns cinquenta cabazes. É mais meia  hora de trabalho.&lt;br /&gt;- Comecem a arrumar alguns dos cabazes dentro da barca. Não  se pode perder muito tempo. O Verão são dois meses! - dizia o mestre.&lt;br /&gt;O  Estera, de tempos a tempos, mudava o fogaz quer para o braço esquerdo, quer para  o lado direito. Agora era a nossa vez. A vez dos putos.&lt;br /&gt;- Vá malta, olhem que  ele é lixado! Aproxima aí esses cabazes ... espalha-mos por aí! Passa aí o balde  e o vertedor para tirar um pouco desta água ensanguentada.&lt;br /&gt;- Quem mandou? -  perguntou o Carrão.&lt;br /&gt;- Quem querias que fosse? Foi o mestre pá. Tá aí o João  Abel?&lt;br /&gt;- Não. Foi à cabana buscar uma lata com gasóleo.&lt;br /&gt;Homens e mulheres  iam e vinham, areia acima, areia abaixo.&lt;br /&gt;- A barca está quase vazia, dizia um  dos camaradas enquanto sacudia o boné ensopado pela água suja das sardinhas  abundantes.&lt;br /&gt;- Descarreguem o resto do peixe para os vossos pés. Safam-se?  Andem, dizia o mestre acrescentando que a madrugada não tardava. Estão a ouvir?  Temos que nos safar enquanto o peixe está aí.&lt;br /&gt;As carrinhas estacionadas na  berma da estrada estavam carregadas com sardinha.&lt;br /&gt;- Ó Zé Maria, diz ao  Escarapela para contar os cabazes.&lt;br /&gt;O João Abel tinha acabado de chegar  naquele momento.&lt;br /&gt;- Á João, gritou o Escarapela, vai à lota mais o João  Alberto.&lt;br /&gt;O tio António Vapor puxou do maço de tabaco que o Fivelas lhe tinha  estendido à mão e levou um cigarro aos lábios e acendeu-o.&lt;br /&gt;- Vamos a isto!  Ponham um panal debaixo da proa da barca e banhem-no com sebo.&lt;br /&gt;A maré tinha  baixado na última hora e meia. Os cabazes que tínhamos transportado até à praia  estavam todos arrumados e alinhados no interior da barca.&lt;br /&gt;- Vamos rapazes!  Vamos caso contrário...&lt;br /&gt;O Zé Augusto encostou a gadanha à ré da barca  enquanto esperava que o mestre desse a ordem do leva. Os sons das pequenas ondas  faziam-se ouvir. O nevoeiro tinha-se dissipado. Via-se a traineira na bóia e o  ruído da bomba de tirar água parecia o de um avião.&lt;br /&gt;- Vai, vai  ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé Augusto acelerou o motor e, de uma assentada, fez a barca  penetrar na água. Uma remada certeira e harmoniosa fazia-se ouvir no dançar do  remos. A praia, tal como as mulheres e os cabazes de peixe ficavam para trás.  Víamos as luzes acesas, a traineira imóvel que esperava a barca com o  contra-mestre e os "moços de terra" ... cada vez mais distantes!&lt;br /&gt;Iniciava-se  assim, uma nova etapa num ciclo interminável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8362402437799085942-6251305298306613634?l=josepetynga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josepetynga.blogspot.com/feeds/6251305298306613634/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/ronca-parte-3.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/6251305298306613634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/6251305298306613634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/ronca-parte-3.html' title='A RONCA - parte 3'/><author><name>José Petinga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02580151391730584049</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lZQU4cyTtjc/SqBgkuyoEnI/AAAAAAAAAAM/dPhqYPrCsu8/S220/jpPerfilBlog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8362402437799085942.post-1035969551550909771</id><published>2009-11-08T17:27:00.002-08:00</published><updated>2009-11-08T17:28:21.220-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A RONCA - parte 2'/><title type='text'>A RONCA - parte 2</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estávamos quase todos prontos para sair.&lt;br /&gt;- Tragam duas enfiadas de cabazes  pelo sim e pelo não - acrescentou o Escarapela.&lt;br /&gt;- Duas? - gritou o Manel. Não  chega uma? Ainda tenho este ombro em sangue desde ontem à tarde e já me estão a  recomendar uma nova cruz! Vida de merda!&lt;br /&gt;Ouvia-se o cantar dos remos abafados  pela densidade do nevoeiro. Algumas vozes vindas do mar ... ó rema! ... rema. Ó  rema ... ó rema!&lt;br /&gt;- Tás a ver a barca, Manel Escarapela? - perguntou o Zé  Maria.&lt;br /&gt;- Á Zé, parece que vai a andar pa sul!&lt;br /&gt;- Ó lá de  terra!&lt;br /&gt;Parece-me a voz do Zé Vapor!&lt;br /&gt;- Á Zé Maria ... pró sul, pró sul.  Parece que vai a andar para o sul!&lt;br /&gt;Chamam o tractor para trazer os panais  para o sul. A voz vinda do mar chegava abafada pela concentração densa do  nevoeiro. "P´á rampa lá do sul!" Vão encalhar à rampa de sul, gritámos nós; os  putos, os índios da praia, os malandros, os que não gostavam de trabalhar, mas  que trabalhavam de sol-a-sol sem parar, noite e dia.&lt;br /&gt;- Já chamaram as  mulheres?&lt;br /&gt;- Já! - dizia uma voz por entre o barulho do tractor que arrastava  os panais. A maré estava boa para a barca vir até aqui acima ... está na  meia-maré.&lt;br /&gt;- Á nariz avassalador! - dizia o Manel enfiando-lhe a mão por  debaixo das pernas, apertando-lhe os testículos até que o Estera chorasse de  dor.&lt;br /&gt;- Filho da ... !&lt;br /&gt;- Filho da quê pá?&lt;br /&gt;- Nada, eu já te digo no Ti  Tonho!&lt;br /&gt;- Dizes o quê pá? Mato-te logo a seguir.&lt;br /&gt;- Parem lá com a  brincadeira, gritou o Escarapela. Tá a barca aí... Não querem outra coisa! Nem é  preciso molharem-se porque o marzinho está como a lama!&lt;br /&gt;- O Zé Maria está  sempre em cuecas! É pó mestre ver que ele trabalha muito!&lt;br /&gt;- Ó, atão não sê! É  o Superman.&lt;br /&gt;- Caluda. Atenção agora porque já se vê o branquear dos remos na  água. Dá o gancho ao João.&lt;br /&gt;Todos nós éramos peritos! Conhecíamos a praia como  a conhecem as gaivotas. Mesmo de noite, debaixo do nevoeiro não paravam de estar  atentas a uma ou outra sardinha que caía na água. Sentia agora, toda a longitude  da praia. Mulheres, pescadores, crianças, ... ! As crianças éramos nós; os  explorados, os maltrapilhos, os fundilhos, os ladrões sempre a contar a história  do vigário.&lt;br /&gt;- Já vai! Agarra a bossa, segura fixe ... fixe!&lt;br /&gt;- Á ó, tá o  mar de roge! Até parece que o mar tá a partir tude! Á ó, é só algazarra!&lt;br /&gt;-  Vira ... vira ... vira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8362402437799085942-1035969551550909771?l=josepetynga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josepetynga.blogspot.com/feeds/1035969551550909771/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/ronca-parte-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/1035969551550909771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/1035969551550909771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/ronca-parte-2.html' title='A RONCA - parte 2'/><author><name>José Petinga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02580151391730584049</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lZQU4cyTtjc/SqBgkuyoEnI/AAAAAAAAAAM/dPhqYPrCsu8/S220/jpPerfilBlog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8362402437799085942.post-5665719370628389885</id><published>2009-11-08T17:27:00.001-08:00</published><updated>2009-11-08T17:27:40.800-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A RONCA - parte 1'/><title type='text'>A RONCA - parte 1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela não pára de tocar! Não está nevoeiro, o vento está calmo e nada faz  adivinhar, nas próximas horas, quaisquer sinais de mau tempo.&lt;br /&gt;Não tenho sono!  Porquê ficar deitado sem sono? São 2 da manhã.&lt;br /&gt;A pesca findara com a  avalanche de pedras à meia-noite em ponto. Desde então muito se alterou na  forma, na vida e na orientação destas gentes da Nazaré e sobretudo na minha  vida, cujo percurso nunca foi fácil. Muitas das minhas histórias foram passadas  no mar. Qual a mais marcante? Talvez tenha sido aquela quando tinha 5 anos de  idade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pescadores olhavam-se como objectos esquecidos numa repartição  qualquer de perdidos e achados. A ronca, emitia um som tão familiar que parecia  adivinhar que estava condenado para a vida inteira.&lt;br /&gt;O dinheiro tinha dado a  volta à cabeça de toda a gente e, por todo o país, fazia-se uma cavalgada  desenfreada para o encontrar. Por que motivo andei por onde andei? De que  estórias é feita a minha história? Em que mar sem sal naveguei? Enquanto  estivesse acordado tinha a certeza de que estava vivo e isso sempre me deu força  para continuar.&lt;br /&gt;Ouvia a televisão do vizinho até de manhã. Não cessava ...  era como a ronca! Tocava, tocava, mas ninguém a ouvia. O vizinho estava doente  há algum tempo, abandonado pela mulher que desaparecera sem deixar rasto. Quando  era criança, chamavam-lhe o pescador de polvos. Adorava comer estes  invertebrados que algumas peixeiras secavam, tal como nos dias de hoje, ao  sol.&lt;br /&gt;Passaram 50 anos. São 2 da manhã e não tenho sono! A ronca desperta-me a  memória dos tempos longínquos. Aos 8 anos, caía de sono e a ronca não parava de  tocar.&lt;br /&gt;É rapaziada! Acima ... p´ra cima que o barco está a chegar! ... heeee  ... porra! É pá, então ninguém se levanta? Tá tudo morto? Os da família são os  piores! - dizia o Ti-Zé Maria, a quem chamavam de velho de terra. Tinhamo-nos  deitado há uma hora atrás, contando com um repouso merecido até à madrugada  seguinte.&lt;br /&gt;Quando é que acaba o Mar e o peixe no Mar! - gritou o Estera,  fatigado pelo trabalho penoso e duro de todos os dias e noites. Quase ninguém  tinha consciência do que fazia. As necessidades comandavam o fio dos dias de  sol-a-sol. Eu também queria ficar a dormir, mas quem é que consegue dormir num  curral carregado de pulgas? O Estera estava cheio delas; andavam na camiseta, no  pescoço, nas cuecas, ... Estão à espera de quê? Palácios do Czar? - somos apenas  crianças e já nos mataram os sonhos, dizia o João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todos os períodos  da história da humanidade, proibiram os homens de sonhar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8362402437799085942-5665719370628389885?l=josepetynga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josepetynga.blogspot.com/feeds/5665719370628389885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/ronca-parte-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/5665719370628389885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/5665719370628389885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/ronca-parte-1.html' title='A RONCA - parte 1'/><author><name>José Petinga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02580151391730584049</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lZQU4cyTtjc/SqBgkuyoEnI/AAAAAAAAAAM/dPhqYPrCsu8/S220/jpPerfilBlog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8362402437799085942.post-471666824360169816</id><published>2009-11-08T17:25:00.001-08:00</published><updated>2009-11-08T17:26:36.027-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='In the bedroom'/><title type='text'>In the bedroom</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Os olhos da mulher na cama cintilam e iluminam-se de cintilações tricolores.  Inclina-se, bandeia-se e, com voz fanhosa e cantante, mendiga como uma pobre,  mas com a certeza antecipada de receber esmola avultada."&lt;br /&gt;Que poderia eu  escrever de outro senão aquilo que escrevo. O Sol fica no horizonte abrindo  brechas avermelhadas que se reflectem no mar aparentemente banhado a ouro  amarelado. O Mar estende-se para lá do horizonte radiante; o amarelado  triunfante soprado pela Estrela Rainha - morreu alguém que amámos!&lt;br /&gt;Ninguém  parece falar a sério neste mundo. Dizes-me que as histórias se fazem com  histórias? Este verde, digo-te eu, relembra-me algumas aventuras no seio do  Oceano Atlântico.&lt;br /&gt;Os países devem amar-se ... sei que me dás razão, mas eu  não preciso dela. Perdeste o hábito de ler ... a tua língua é um morteiro!  Pareces nem saber em que terra estás ... venho aqui e nem sei pelo que venho.  Deixo a minha aglomeração de encantos.&lt;br /&gt;Poderia chamar-me um Patictus!&lt;br /&gt;Não  passas de um selvagem. Nasces a gemer como todo o mundo. Não me esqueci ... não  ... que mundo é este? Que género humano é este? Estoiram sem ponta de emoção,  sem moral, vazios como um sino sem badalo.&lt;br /&gt;Tenho necessidade de respirar ar  livre. O cheiro ... o odor insuportável!&lt;br /&gt;Aflige-nos sabê-lo ... atiram tudo  para a rua, para a nossa casa social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou continuar a ler ... vim apenas  para te convidar para tomar café.&lt;br /&gt;Isto está pela ponta dos cabelos. Sabes ...  está-se a passar fome!&lt;br /&gt;Eu já me lixei.&lt;br /&gt;És artista ou julgas-te?&lt;br /&gt;Isto  está cada vez mais complicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia após dia deparamo-nos frequentemente  com uma espécie de enigma irracional. Anda tudo muito assustado! Aquilo que  tenho presenciado é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;très exodromes&lt;/span&gt;, que é uma espécie de perda de identidade  generalizada.&lt;br /&gt;Eu amei tanto a Europa como outros continentes, nem mais nem  menos. Hoje, algumas dessas pessoas ... quando acabará o sofrimento? Quando  encontraremos nós, cada um de nós, o nosso próprio caminho. A tua revolução era  um Revolução onde se podia estar bem.&lt;br /&gt;Oh! Só estou bem onde não  estou!&lt;br /&gt;Faziam estas expressões sentido, acordando a memória?&lt;br /&gt;Agressões!  Violentas agressões psicológicas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lei é igual a todos os sentidos ...  Parte em todas as direcções!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8362402437799085942-471666824360169816?l=josepetynga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josepetynga.blogspot.com/feeds/471666824360169816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/in-bedroom.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/471666824360169816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/471666824360169816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/in-bedroom.html' title='In the bedroom'/><author><name>José Petinga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02580151391730584049</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_lZQU4cyTtjc/SqBgkuyoEnI/AAAAAAAAAAM/dPhqYPrCsu8/S220/jpPerfilBlog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8362402437799085942.post-1941702283140356908</id><published>2009-11-08T15:44:00.000-08:00</published><updated>2009-11-08T17:35:32.144-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O inesperado'/><title type='text'>O inesperado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perguntai-me o Sr. quem eu sou?! ... Serei sempre le même écrivain! Deveria ser  eu outro? Na verdade saiba o Sr. que noutros tempos diziam-me que tinha uma veia  poética! Peut vous bien croire! Talvez não seja um dos caminhos fáceis da minha  vida. Quando se é intelectual as coisas têm outro sabor! Mas um marginal como eu  - pescador, empregado fabril, grelhador profissional, recepcionista, moço de  recados, marinheiro, poeta, escritor e pintor - de que me serve tudo  isto?&lt;br /&gt;Veja que estou há mais de 30 anos sem luz neste "Covil Kafkiano"! O que  me faz ainda permanecer aqui é pensar que existem outros que estão bem pior. Se  estivesse numa guerra acidentalmente ... porque as guerras nascem sempre de  ambições políticas nas carreiras dos diplomatas. Eu não nasci para isso! Saiba o  Sr. que seria incapaz de mastigar alguém para, unicamente, afirmar que também  existo. Acredite ou não o Sr., não tenho pinta para estas coisas. Nasci para  amar e para dar amor e por isso estou na miséria. Mas existem outros!&lt;br /&gt;Só ...  neste quarto onde belíssimas damas, amantes e amigas inesquecíveis ... sonharam  comigo! Sonhavam aqui onde a tranquilidade juntamente com este silêncio, eram  apenas interrompidos pelas cantigas do mar.&lt;br /&gt;A casa ficou numa completa  bagunça. Alguns anos mais tarde, objectos pessoais - livros, revistas, roupas -  estavam ainda marcados pelas roidelas dos ratos ... a infestação, as poeiras ...  tudo parecia mais usado do que antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem prometeu voltar a  encontrar-se comigo. Ao sair passou a mão na testa, franziu as sobrancelhas e  afastou-se estupefacto com tudo aquilo que lhe tinha contado. Não queria  acreditar como é que alguém conseguia viver assim tantos anos, isolado dos  objectos essenciais, das matérias primas, das energias e de tantas outras coisas  indispensáveis nos dias de hoje.&lt;br /&gt;Quando me perguntou, no decurso da conversa,  o que pintava eu, respondi-lhe:&lt;br /&gt;A SOMBRA DA PINTURA! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8362402437799085942-1941702283140356908?l=josepetynga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://josepetynga.blogspot.com/feeds/1941702283140356908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/o-inesperado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/1941702283140356908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8362402437799085942/posts/default/1941702283140356908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://josepetynga.blogspot.com/2009/11/o-inesperado.html' title='O inesperado'/><author><name>Carlos Filipe</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KZNyP3B8nI4/Tw78NvQUfkI/AAAAAAAAFzw/bpdEIeP5NM4/s1600/DV_logo.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
